Quantas vezes já confiaste e foste traído/a? Ou quantas vezes já prometeste mudar e voltaste a falhar? Quais os custos dessa confiança quebrada: o relacionamento doentio que se vai mantendo, o “engolir sapos” porque esperas que esse problema mude, a dor da decepção vez após vez, o acabar de uma relação que tanto querias mas na qual já não acreditas,…?

 

Proximidade aumenta a dor

A maior dor, para quem é traído, é esse acto vir de alguém tão próximo, daquela pessoa que devia ser o seu ajudador e não o seu destruidor. No entanto, essa dor intensa de ser traído, só pode ser provocada por alguém muito próximo de nós. As pessoas que são apenas conhecidos, não têm esse tipo de poder emocional sobre nós. Eles podem fazer as mesmas coisas que os nossos, mas isso não nos afeta tanto. Nós estamos sempre a ver coisas horrendas que pessoas fizeram e podemos até ficar chocados com isso. Mas aquela sensação de que o teu coração foi despedaçado, só acontece quando essas atitudes vêm de alguém muito próximo, de alguém a quem amas ou de quem esperas um mínimo de fidelidade.

 

Casos

Depois de uma situação de adultério, o Paulo prometeu que ia mudar, que isso não ia voltar a acontecer. Passados alguns meses, a Carla soube que ele continuava com a relação extraconjugal.

O Rui é um jovem filho de empresários e ainda está a viver em casa dos pais. Durante anos eles tentaram “não ver” os roubos do filho. Estes roubos foram aumentando em frequência e valor. Muitas vezes, desapareciam vários milhares de euros da empresa. Os pais acabaram por lhe retirar as chaves da empresa e o acesso ao local do dinheiro. Um dia, ao voltarem para casa depois de um jantar, a mãe apercebeu-se de que todo o ouro e as jóias de família tinham desaparecido.

A Ana procurou o apoio da LisboaCounselling para a ajudar a lidar com uma série de graves desfalques financeiros que o pai e o irmão estavam a levar a cabo e que a afetavam também a ela, como herdeira. Poucos dias depois, enquanto procurava inteirar-se de toda a extensão das ações que eles estavam a cometer, descobriu que tinham pedido um empréstimo de meio milhão de euros em nome dela, falsificando a sua assinatura.

A Patrícia ajudou a Sandra a arranjar emprego na empresa onde trabalha. Passado algum tempo, através de uma série de intrigas e mentiras graves, a Sandra conseguiu que a Patrícia ficasse desacreditada e com ameaça de processo disciplinar, e que lhe fosse dado a ela própria o lugar de liderança que já tinha sido oferecido à Patrícia (e para o qual a Sandra nem tinha as habilitações necessárias).

Estes são alguns exemplos de casos com que tenho trabalhado e que são a realidade de muitas outras pessoas.

 

O tempo não cura!

Muitas pessoas chegam até mim com situações terríveis, por vezes até difíceis de acreditar. E há bastante essa crença popular de que o tempo cura. Mas isso não é verdade. Se o que te aconteceu foi mesmo grave, o tempo não vai curar. Vais simplesmente manter uma cicatriz infectada que periodicamente volta a abrir, trazendo as memórias, a dor, e provavelmente fazendo com que cada vez acredites menos nas pessoas. Ou manténs uma situação insustentável, aceitando viver nesse ambiente em que és desrespeitado/a e maltratado, quer tentando convencer-te que isso não é tão grave assim, quer entrando no modo de vítima, de coitado/a, que te rouba a alegria e o prazer de viver.

 

Impacto

Viver neste estilo de vida, quer sejas o prejudicado quer sejas o culpado, tem custos muito elevados, tanto na tua vida como na de outros. Este ambiente afeta a tua saúde física, podendo provocar doenças psicossomáticas; afeta as tuas emoções, aumentando a probabilidade de depressão, o stress, as variações de humor; afeta as tuas capacidades mentais, devido ao desgaste interior que provoca; afeta a tua performance, uma vez que essas situações habitam dentro do teu pensamento e o controlam, deixando menos espaço para gerires a tua vida de forma equilibrada e saudável; e afeta as tuas relações também com os outros.

 

O que fazer?

Nos próximos artigos vou falar um pouco acerca do que podes fazer, se estás a viver esta realidade.