“Não posso voltar a confiar!”

Os exemplos de traição que tenho encontrado são muitos: adultério, roubo e desfalques graves dentro da família, assinaturas falsificadas, mentira, promessas repetidamente quebradas, juras de mudança que não se cumprem.

 

Até que ponto?

Se já foste traído/a de forma grave, não tens que voltar logo a confiar. Ou, pelo menos, não é por aí que deves começar. O objetivo é a mudança, a restauração. Normalmente, pensa-se que dar outra oportunidade à pessoa que te traiu, implica confiar nela. Mas não tem que ser assim (aliás, esse modo raramente dá bom resultado).

Precisas de sair do modo de preto ou branco, de “voltares as costas” a essa pessoa ou de “confiares” de forma a te colocares a jeito para que ela volte a fazer o mesmo… ou pior. Então, o foco não deve ser “confiar”, mas dar à pessoa espaço para a mudança.

 

Limites

Os limites são necessários em qualquer relacionamento e muito mais quando houve uma situação de traição. Não é falta de confiança, nem castigo. É apenas definir o que aquela pessoa pode fazer e o que não pode, nessa fase. À medida que a situação vai melhorando, os limites podem ir sendo alargados. Por exemplo, um jovem que quebrou a confiança da família a nível financeiro, ou simplesmente que tem mostrado que não faz uma boa gestão do dinheiro, não deve usar um cartão de crédito da família.

 

Encerra o assunto

A maioria das pessoas tem o hábito destrutivo de continuar a trazer à conversa o assunto que já passou, como que para “lembrar” o outro da asneira que ele fez. Mas na verdade, isso não é nada eficaz; mantém a ferida aberta e acaba por aumentar a tendência do outro para continuar a fazer o mesmo. À medida que vamos passando o feedback negativo, vamos relembrando isso e aumentando o poder desse hábito que muitas vezes funciona quase como um vício. Então, não estejas sempre a atirar à cara, a cobrar, ou a dizer que ele já não é de confiança. Percebo que isso possa ser verdade, mas esse caminho não leva à restauração; apenas à continuação de destruição.

 

Provar que confias?!

É muito comum, a pessoa que fez asneira, ao primeiro passo positivo que dá, já querer ser perdoado, que o tratem como se nada tivesse acontecido e até que lhe proves que já confias nele outra vez. Não tens que provar nada! Confiança não pode ser à força. Precisa de ser reconstruída, reconquistada.

Quando alguém de alguma forma te traiu, não deves permanecer no negativo, desconfiando da pessoa. Mas pode fazer sentido tomares algumas precauções práticas, não no sentido de estares à espera que volte a acontecer, mas de estares a contribuir para que não volte.

Então, tudo passa pela busca do equilíbrio entre confiança saudável e ingenuidade destrutiva.

 

Perdão

Não é possível restaurar a confiança e reconstruir uma relação saudável, sem passar pelo processo do perdão.

Muitas pessoas dizem que não têm nada para perdoar, que não estão ressentidas, não guardam rancor. Mas se o que te aconteceu foi grave, então precisas de passar pelo processo do perdão, que tem que ser intencional e consciente.

Não é o tempo que cura, mas o percurso do perdão que vai restaurar a relação e curar a tua dor.

No índice dos artigos deste site, podes encontrar alguns sobre o perdão.