Resiliência tem que ser muito mais do que apenas sobreviver às tragédias ou aguentar as dificuldades.

A resiliência tem sido definida como a capacidade de ultrapassar situações muito difíceis e conseguir “sobreviver”. Mas se for apenas isso, simplesmente saíres vivo da tua tragédia, todo esse sofrimento foi inútil e uma total perda de tempo.

É uma decisão pessoal, mas o teu processo de luta para resolveres os problemas que enfrentas, pode ser usado para te transformar em profundidade.

O Caminho Mais Percorrido

A dor, o sofrimento, nunca é algo neutro; sempre tem efeitos ou consequências em nós. Para muitos, o resultado é o endurecimento emocional, a redução de sensibilidade, o desenvolvimento de amargura, azedume, ressentimento. Torna-se natural relativizar a dor do outro ou mesmo ter atitudes menos éticas. Pouco a pouco, a pessoa acaba por se tornar um autêntico “limão”, azeda para a vida e incapaz de sentir (ou proporcionar) alegria ou prazer.

Post-Traumatic Growth

No entanto, há outras opções. Quando olhas à tua volta, mesmo ao longo da História da Humanidade, podes encontrar pessoas que passaram por sofrimentos horríveis e que, apesar disso, conseguiram “fazer a diferença”. Há pessoas que parecem ter “florescido” numa situação dramática, como catástrofes naturais, campos de concentração, ou simplesmente situações pessoais extremas.

Muitos especialistas se têm debruçado sobre este fenómeno, o Post-Traumatic Growth, tentando perceber o que capacita alguns a crescer através de uma situação, em que os outros estão a sucumbir.

Motivação e Perseverança

Normalmente isto não é automático nem espontâneo. Há uma motivação profunda, um anseio quase visceral que numa fase inicial não é visível a olho nu nem identificado por uma observação superficial.

– Pode ser o desejo de sobreviver, ou de ajudar outra pessoa a sobreviver.

– O desejo de proteger alguém mais fraco, numa situação dramática.

– O desejo de ser testemunha e poder contar o que aconteceu, como muitos sobreviventes do holocausto.

– A descoberta de que há algo muito maior do que a nossa vontade ou conforto; de que, mesmo quando estamos mal, podemos estar bem, num outro nível muito mais profundo.

– Muitas vezes ligado a uma experiência espiritual profunda, a uma tomada de consciência da realidade da existência de Deus.

Escolha Pessoal

Os problemas não estão aqui para nos azedar mas para nos tornar melhores.

Se viveres em “piloto-automático”, é muito provável que os teus sofrimentos te tornem uma pessoa mais dura, com ideias menos maleáveis, mais rápido em colocar rótulos, em fazer o diagnóstico de qual é o problema dos outros e em dizer como eles devem resolver os seus problemas. A tua mente vai ganhando como que uma carapaça que bloqueia a entrada do que não te agrada e impede o teu crescimento como pessoa. Mas quando aparecer um problema realmente grave, que atravesse essa tua carapaça mental, vais desabar, porque não sabes “lidar”, só sabes “bloquear” ou proibir.

Por outro lado, ao desenvolveres a tua resiliência, desenvolves também uma sensibilidade profunda mas matura, que te leva não só a usufruir mais plenamente da vida, mas também a lidar de forma mais positiva e eficaz com a dor, tua ou de outros.

Então surge uma pergunta bastante pertinente: Como é que eu posso desenvolver essa capacidade? Como posso tirar “lucro” das minhas dificuldades e batalhas, em vez de ser esmagado por elas?

Nos próximos artigos vou partilhar um pouco mais sobre este tema.