“Estou farto de viver em depressão!”

Então, counselling é a abordagem certa para ti! Counselling não é análise do problema nem das suas causas, mas sim treino de ferramentas, criação de um caminho de saída, logo a partir da primeira sessão. Vamos ver isso mais adiante.

 

Depressão é uma doença?
Não no mesmo sentido que artroses, Alzheimer ou úlceras, por exemplo. A depressão não é uma parte do corpo que está doente, mas um grande desequilíbrio, a nível hormonal, bioquímico, e uma incapacidade de gerir pensamentos e emoções.

 

De onde vem?

A depressão pode começar com um evento dramático (ou que é visto como dramático), ou surgir a partir do nada. Ela não é racional, não tem que fazer sentido. Vem, instala-se e pronto. Como não é uma “doença”, pode não ser logo identificada. É natural passarmos por momentos de tristeza, às vezes intensa, e isso não significa que estejamos em depressão. É a continuação e a incapacidade de sair disso, que levam ao diagnóstico.

 

Emoções

A depressão é caracterizada por uma angústia, uma tristeza profunda, que se vai mantendo por períodos cada vez mais frequentes e prolongados, até que deixa de haver momentos fora dessa dor emocional. Esta dor, sofrimento, choro, que por vezes parece que já não se consegue aguentar, pode ir intercalando com uma apatia total, uma perda de interesse por tudo, inclusive pelo facto de se estar vivo ou não. A sensação de que os “músculos emocionais” ora estão esticados até ao limite de dor, ora estão totalmente bambos, sem sentir coisa nenhuma. É como viver numa caverna escura, sem luz, sem caminho, sem possibilidade de sair.

Este desinteresse crescente leva ao deixar de cumprir tarefas e obrigações básicas, ou mesmo ao desleixe.

A intensidade da angústia, pode levar a sensações físicas, como aperto imenso no peito ou mesmo dor.

 

Bioquímicos

A frequência e intensidade crescentes das emoções negativas, levam a uma grande produção de cortisol e a níveis baixíssimos das hormonas positivas, gerando um enorme desequilíbrio bioquímico. O cortisol aumenta a angústia e deturpa a visão, fazendo com que a pessoa não consiga ver nada de positivo; perde a capacidade de racionalizar; há uma ausência de perspectiva. Isto vai aumentar a sensação de hopelessness, de desespero, de que não há nada a fazer.

A nível neurológico, vai-se criando um programa negativo. O cérebro acredita que é assim, que só pode sentir-se assim; e automatiza esta crença e estas emoções. A sensação de “não aguento mais”, vai-se tornando mais frequente e mais forte. O pensamento em modo de piloto-automático, fica a ruminar nos temas negativos e angustiantes, e estes passam a ser sentidos como a (única) realidade. Nesta espiral descendente destrutiva, a pessoa tem cada vez mais dificuldade em ter mão nos seus pensamentos, nas suas emoções. Cada vez fica mais afastada da realidade em que ainda há coisas positivas, cada vez mais isolada dos outros.

 

Traumas

Vivemos numa sociedade em que se dá bastante importância aos traumas (noutras sociedades nem se pensa neste conceito, de “trauma”). Sem dúvida que há situações terríveis, pelas quais muitas pessoas passam. Mas esta ideia de “trauma”, de permitires que as tuas circunstâncias definam como te sentes, aumenta o poder das emoções negativas, da depressão; reduz a resiliência, a capacidade de estar bem apesar da situação em que estiveres. Ficas à mercê das emoções negativas, com o “pacote” que isso traz – desequilíbrio bioquímico, implementação de neuroprogramas negativos e destrutivos, e muitas vezes problemas psicossomáticos.

 

Counselling trabalha a noção de escolhas. A consciência de que podes escolher sair da depressão; de que há ferramentas que te permitem fazeres esse caminho.