A análise do problema agrava a dor, aumenta o poder da depressão e os riscos que ela traz. A ideia de que, no início da terapia o problema começa por agravar para depois então ir melhorando, não existe em counselling. Nós fazemos o percurso inverso, treinando no nosso cliente as competências para resolver (não para perceber) e é ao longo do percurso de resolução que ele vai percebendo o que for necessário.

 

Enterrar a cabeça na areia?

Muitas pessoas acham que investir no positivo, na resolução, é uma forma de enterrar a cabeça na areia, de fingir que o problema não está lá. No entanto, não passaria pela cabeça de ninguém mandar para uma batalha um soldado que está esfarrapado e quase a morrer de fome. Da mesma forma, a primeira fase do meu trabalho com o meu cliente, passa por treinar com ele competências, ferramentas, que o ajudem a fazer o caminho que tem pela frente.

 

Como funciona, na prática?

No início do trabalho com depressão, a prioridade é o fortalecimento emocional. Ensinar ao nosso cliente ferramentas para encontrar alívio, para reduzir a força da sua angústia, para começar a ter pequenos momentos em que consegue estar bem ou mesmo sorrir. Começar a produzir mais hormonas positivas e reduzir as negativas. Esta promoção do equilíbrio bioquímico já vai trazer mudança nas emoções (não está a tomar medicação, mas está a produzi-la).

 

Visão e liberdade de escolha

A visão vai sendo alargada. O cliente vai deixando de viver no modo de preto ou branco, bom ou mau, e aprende a relativizar o problema, em vez de o deixar assumir uma dimensão gigantesca. Aprende a ver outras coisas para além do problema. Ao não investirmos na análise, ajudamos a que a depressão comece a deixar de ser o único tema no cenário mental da pessoa. A análise dá poder e legitimidade à depressão para amarrar a pessoa; não fazendo análise, nós roubamos esse poder à depressão; a dor fica menor e a saída mais fácil.

O cliente desenvolve também a capacidade de ver e identificar o positivo. Com esta visão mais positiva e alargada, desenvolvemos a noção de possibilidade de escolha, a consciência de que há vários caminhos, que pode escolher qual quer seguir.

 

Auto-capacitação

Todo o nosso trabalho passa pela auto-capacitação. O nosso cliente aprende a resolver o seu problema e a gerir o impacto que este possa ter sobre ele. Então, o olhar sobre os traumas só acontece se for necessário e numa fase em que a pessoa já tenha força interior para o suportar; que já seja capaz de perceber e gerir a dor que vem da análise; que já tenha aprendido a fazer escolhas, a não estar à mercê dos pensamentos e da dor. Na prática, só mexemos na ferida quando o nosso cliente já tem as ferramentas e a capacidade para lidar com ela sem ser esmagado. E mais, quando já verificou, por si próprio, que consegue sair.

Talvez uma das maiores diferenças entre a psicoterapia e o counselling, é que aquela vê os traumas como tendo o poder para se manter dentro da pessoa para o resto da sua vida, como a Post Traumatic Stress Disorder; traumas que foram tão graves que deixam a pessoa marcada para sempre, incapacitando-a de ter uma vida emocionalmente feliz. Nós, pelo contrário, apesar de entendermos a gravidade dos traumas, acreditamos e investimos no Post Traumatic Growth. O que significa que, seja qual for o trauma ou horror que viveste (ou estás a viver), isso não te desqualifica para seres feliz.

 

Há depressão crónica?

Não é crónica, porque não é uma “doença”; é mais um desequilíbrio, uma má gestão (podes ver isso nos artigos anteriores). É uma tendência, um padrão; então, não passa com o tempo. É preciso desenvolver ferramentas para sair, para começar a fazer uma gestão mais eficaz e positiva de emoções e situações.

 

Medicação?
A medicação não vai curar a depressão, mas apenas anestesiar as emoções, reduzir a angústia. Em casos menos graves, isto dá à pessoa uma pausa no seu estado de depressão, um tempo de alívio, em que a pessoa pode conseguir começar a organizar-se de forma diferente e vir a viver sem medicação. Em casos mais graves, a retirada da medicação faz com que os sintomas voltem a surgir (o que leva algumas pessoas a chamar-lhe crónica). Mas o que isto significa é que a pessoa precisa de mudar o seu equilíbrio bioquímico, de ter níveis mais altos de serotonina e das outras hormonas que a ajudarão a sentir bem. No entanto, o nosso corpo produz estas hormonas; a falha que há não é apenas nos baixos níveis mas na deficiência da produção. Em counselling, em vez de receitarmos esses químicos, treinamos o corpo a produzi-los em maior quantidade. Ou seja, aprendes a produzir a tua própria “medicação”.

 

Counselling desenvolve um caminho de saída da depressão, sem o impacto negativo da análise do problema.