Quantas vezes já lutaste para te libertares de pensamentos que percebes que te estão a maltratar, mas que “colam” na tua mente e se recusam a ir embora?

 

A ansiedade será uma doença ou apenas uma má gestão de pensamentos, emoções e situações?

Ela nasce no pensamento; não é provocada por uma situação, mas pelos pensamentos que permitimos desenvolver na nossa mente acerca dessa situação, seja ela real ou imaginária.

 

Como se manifesta?

O leque de sintomas da ansiedade é imenso.

No corpo – ela pode gerar sensação de falta de ar, de aperto no peito; enxaquecas, alergias (é muito comum, quando trabalho ansiedade ou ataques de pânico num cliente que também tem alergias, estas desaparecerem); tonturas ou peso na cabeça; problemas digestivos, arritmias, subida da tensão arterial; insónias, pesadelos, acordar de manhã “mais cansado do que quando se deitou”, entre outros.

Nas emoções – angústia, medo, sensação de que vai correr tudo mal ou mesmo haver uma tragédia, incapacidade de sentir prazer ou alegria, …

Na mente – pensamento acelerado e em piloto automático; preocupação constante, acredita que só há uma solução possível, não consegue visualizar várias opções ou soluções para o seu problema; dificuldade de concentração, de memória, esquece ou perde coisas.

No comportamento – agitado, menos paciência, maior tendência para se irritar, atitude interior menos agradável; perde coisas e depois anda desesperado à procura delas; o comer emocional e compulsivo, etc.

No trabalho – maior tendência para cometer erros, falhar prazos, ser desagradável com os colegas ou clientes; dificuldade em cumprir os seus compromissos, auto-justificação, vitimização; a performance geral é afetada.

 

Como é que a ansiedade funciona?

Ela provoca aceleração interior, na respiração (podendo levar a hiperventilação e ataques de pânico), no ritmo cardíaco e no ritmo das ondas cerebrais. Os pensamentos vão-se sucedendo, em velocidade crescente, surgindo temas que não têm nada a ver uns com os outros, como se a mente estivesse a esvaziar o baú de memórias, vivências, situações ou mesmo imaginações, num ritmo frenético, cada vez mais acelerado e impossível de controlar.

Quantas vezes isso já te aconteceu?

Isto é normal e acontece, com mais ou menos intensidade, com toda a gente. O problema é que, quando esse estado interior não é gerido e ultrapassado, ele agrava, repete-se e torna-se um estilo de vida, em que a pessoa vive em ansiedade permanente; em que pode já nem se aperceber que está com ansiedade e acreditar que isso é o seu estado normal.

No entanto, isso sempre tem custos. É uma pressão que vai aumentando e acaba por ter que “sair” por algum lado. E este sair sempre afeta o corpo físico (e não apenas as sensações e emoções). Pode começar com coisas leves e que a pessoa nem percebe que são provocadas pela ansiedade, como alguns dos exemplos que dei acima. Com o passar do tempo, normalmente vai evoluindo para doenças psicossomáticas mais sérias ou “crónicas”.

 

Casos clínicos

A ansiedade também tem um grande impacto em situações clínicas. Ela agrava doenças existentes e dificulta a sua cura. Em situações graves como cancro, por exemplo, a capacidade de gerir as emoções e os bioquímicos vai fazer toda a diferença não só na forma como a pessoa consegue lidar com esse período da sua vida, mas também na probabilidade de cura.

Em doenças consideradas crónicas, a ansiedade vai reduzir imenso a qualidade de vida dessas pessoas, por exemplo agravando a percepção de dor física.

Picos de ansiedade podem exacerbar ou desencadear outros problemas mentais mais graves, como despersonalização e mesmo eventos que podem ser considerados como “surtos psicóticos”.

Ela agrava a tendência para fazer “filmes na mente” e aumenta muito o risco em pessoas com pensamentos ou tendências suicidas.

 

Que áreas da tua vida é que ela afeta?

Sem dúvida, afeta o teu bem-estar, felicidade, qualidade de vida. Afeta a tua gestão de pensamento e de emoções; a gestão das tuas rotinas; a saúde física, as relações interpessoais, a tua performance; reduz a resiliência.

 

O que podes fazer?

A abordagem em counselling, passa por começar a fazer o caminho inverso ao do problema.

Desenvolvendo ferramentas e estratégias práticas, vamos criando bem-estar nas várias áreas que estão a ser afetadas, vamos ganhando terreno à ansiedade.

Na nossa abordagem, o cliente tem um papel fundamental, dia a dia aplicando as nossas ferramentas de bem-estar e auto-gestão como um novo estilo de vida, desenvolvendo a sua autonomia e tornando-se capaz de gerir a sua ansiedade sempre que necessário.

Nos próximos artigos vou falar mais acerca de como isso se processa.