Para curar o teu interior, não precisas de abrir, analisar nem expor as tuas feridas emocionais.

 

“O que é”, faz toda a diferença. Quando percebes que a ansiedade não é uma doença mas algo criado na tua mente, deixas de viver na expectativa de uma possível cura, de alguém ou alguma medicação que te livre desse teu problema. A consciência de que o que precisas é de habilidade, ferramentas, estratégias para a ultrapassares, vai tornar-te mais pró-ativo e eficaz na gestão da ansiedade. Vai aumentar a tua autonomia, a tua capacidade de auto-regulação. Vai, sem dúvida, aumentar a tua liberdade, a capacidade de usufruíres de uma vida plena, sem estares sempre debaixo da pressão da ansiedade.

 

Gerir os sintomas

Uma vez que não há uma base, uma doença que a esteja a provocar, o problema são os seus sintomas e o que eles causam (que muitas vezes chega a ser doenças).

Em counselling, a abordagem começa por focar em reduzir o poder do problema, desenvolver alívio, ganhar terreno. Em vez de focarmos no problema e em atacá-lo, focamos em construir o que queremos, ou seja, a vida sem esse problema. Em vez de focarmos no que queremos retirar, focamos no que queremos alcançar. Isto faz toda a diferença, tanto na suavidade do processo como na sua eficácia e no curto tempo para a mudança.

 

Menos dor

“Já não aguento falar mais sobre o meu problema”, é um comentário que oiço com frequência e que está muito ligado à ideia de que, para resolver um problema, temos que o analisar em profundidade e a tudo o que está por detrás dele; à ideia de que as sessões de ajuda, são passadas a desabafar, a falar sobre o problema, … a chorar. Isto é o que leva muitas pessoas a não procurarem ajuda, esta ideia de meses ou anos a escancarar o coração e a alma, a reviver feridas, a passar vez após vez pela mesma dor.

As sessões de counselling são muito diferentes disso. Depois de percebermos minimamente as áreas que precisam de começar a ser trabalhadas, o foco é nesse trabalho, na dinâmica do problema, como ele funciona, o que o está a agravar, o que o enfraquece, onde podemos começar a reduzi-lo, etc. Ou seja, as sessões de counselling não são um tempo de dor, de reviver traumas, mas de planeamento de saída, de reconstrução de vida, de criação de motivação e esperança à medida que o cliente vai constatando o que já está a conseguir mudar.

 

E como podemos conseguir isso?

Como referi no artigo anterior, nós reagimos segundo programas que foram sendo criados na nossa mente. Em relação à ansiedade, podemos pensar nela como um programa disfuncional. Então, a estratégia passa por começar a criar um novo programa, um novo trilho na mente, uma nova forma de reagir, de pensar e de sentir. Será uma neuro-reprogramação muito a nível dos sintomas.

E a reprogramação passa, essencialmente, pelo treino, pelo reforçar das novas formas de lidar com as situações. Começa por ser através de ferramentas que vão ser colocadas a uso, mas que acabam por se tornar um estilo de vida, uma nova forma de gerir os problemas. Isto leva a uma mudança radical — já não é “o que me acontece e me deixa stressado”, mas como eu quero agir em cada situação, o que eu quero fazer com ela. Os problemas passam a ver vistos menos como imprevistos ou dramas, e mais como um “ginásio”, como oportunidade de treino de ferramentas, de ficarmos mais habilidosos não só em lidar com as situações difíceis de forma positiva, mas também em as influenciar, mudar ou evitar.

E tudo isto está dentro do universo da neuroplasticidade e dos bioquímicos. É o escolher não ser dirigido pelas áreas cerebrais do impulso e do instinto, mas pelo neo-córtex, a área que nos permite racionalizar, decidir, planear, fazer as coisas com sentido e não na quentura do momento; é o escolher não ser dirigido pelo cortisol e tudo o que isso significa, mas pelas hormonas positivas (serotonina, dopamina e outras). A diferença, em termos de estilo de vida, é abismal.

 

Para muitos clientes, isto é o abrir de um novo universo, que os leva a uma enorme mudança e a desenvolver competências que eles nem sabiam que tinham. Mas, como tudo o resto, não é para toda a gente.

 

Público-alvo

Estes aspetos tão práticos da abordagem do counselling, levam-nos a ter um público-alvo muito específico. É uma abordagem completamente diferente da psicoterapia, portanto o público-alvo também é diferente.

Esta é uma abordagem para pessoas que querem ter um papel ativo na resolução do seu problema. Que querem aprender novas competências e desenvolver autonomia no seu uso; que querem começar a resolver o seu problema já; que querem caminhar intencionalmente no lado positivo da vida, seja qual for a situação em que se encontram.

 

Em counselling, ninguém vai resolver o teu problema (na prática, nós não vamos “curar-te” mas “treinar-te”). Também não vais ficar a analisá-lo e percebê-lo à espera que um dia ele se resolva. Bem pelo contrário, vais começar tu próprio a dar passos específicos para a sua resolução.

E o teu primeiro passo, será perceberes o que queres mudar na tua vida, ou que problema queres resolver, e qual o tipo de abordagem que queres usar para isso.