A tua ansiedade depende da tua habilidade, muito mais do que das tuas circunstâncias.

 

Aprender a reduzir a ansiedade não significa enterrar a cabeça na areia e fingir que os problemas não existem. Muito pelo contrário, se tens problemas sérios não podes dar-te ao luxo de estar a desperdiçar o teu foco e energia com a ansiedade. Baixar a ansiedade, para além de aumentar o teu bem-estar e qualidade de vida, aumenta também a tua capacidade de resolveres os teus problemas ou lidares com as tuas situações difíceis de forma positiva e eficaz.

 

Como podemos evitar sentir ansiedade?

Em counselling, trabalhamos para fazer um percurso inverso ao dos sintomas. Um dos primeiros passos é desacelerar, começar a baixar a aceleração interior e mental que a ansiedade provoca.

 

Desacelera

Para isso, podes sentar-te, fechar os olhos (se possível), e começar a respirar mais profundo e muito mais lento. Deixa que o ar entre devagar, que encha completamente os pulmões e que saia muito mais devagar. À medida que vais fazendo essa respiração, vai também tomando consciência das várias partes do corpo, de como os músculos estão a aceitar começar a relaxar. Procura ficar uns minutos a fazer esse exercício, focando nas sensações físicas dessa respiração e relaxamento, tentando não pensar noutras coisas.

Este exercício, que não é mais do que uma Meditação de Respiração, vai ajudar a baixar o teu ritmo respiratório, cardíaco e o das ondas cerebrais. Ao manteres o foco nas sensações da respiração, vais tirar o teu pensamento do modo de piloto-automático, vais conseguir começar a sair da multidão de pensamentos e temas que estão a causar a ansiedade. Podes usar este pequeno exercício para começares a gerir os pensamentos tóxicos que te atormentam.

 

Gestão das hormonas

Para baixares a tua ansiedade, precisas de reduzir muito o teu cortisol e aumentar a produção das hormonas boas. Para isso, podes usar as ferramentas do Mindfulness, o treino de estar no aqui e agora, usufruindo disso.

Então, ao longo do dia, começa a tomar muito mais atenção às informações que te chegam através dos sentidos. Gasta minutos a ir observando – o que vês, os cheiros, os sons que ouves, o sabor dos alimentos, as sensações que te chegam através da pele. Vai observando e usufruindo dessas pequenas coisas – a brisa no rosto; um copo de água fresca bebido bem devagarinho; o canto de pássaros; o cheiro de flores, do café quentinho; a mudança das cores no final do dia. Vai observando, usando os vários sentidos; enquanto estás a fazer alguma coisa que não seja um trabalho mental, treina a manter o teu foco ali, no que estás a fazer, nas várias sensações que podes observar nisso,…

Isto pode parecer-te demasiado “pouco”, banal, sem sentido. Mas, na realidade, ao estares a gastar minutos a observar e usufruir destas pequenas coisas, estás a baixar o cortisol e a aumentar a tua produção das hormonas que vão promover o teu bem-estar e baixar a tua ansiedade – a serotonina, endorfina, dopamina, etc. Ou seja, em vez de ires à farmácia comprar os medicamentos para te sentires melhor, estás a produzi-los.

 

Gere o papel do teu cérebro

Perante um problema, imediatamente são ativadas as partes mais profundas e consideradas mais primitivas do nosso cérebro, que vão desencadear todo o tipo de resposta impulsiva e instintiva: a ansiedade, o stress e todo o seu “pacote” de sintomas e atitudes menos positivas.

Para impedires que isso aconteça, precisas de dar a ti próprio uns minutos, para dar tempo ao teu cérebro de ligar o neo-córtex. É o tempo necessário para o teu cérebro sair do modo automático (de ansiedade, histeria, conflito,…) e entrar no modo de gestão, resolução, de decidir o que quer fazer.

Para conseguires este tempo, procura afastar-te uns momentos da situação que te está a causar ansiedade, praticando os dois exercícios que sugeri antes, a meditação de respiração e o uso dos sentidos. Usa esses exercícios para “agarrar” a tua mente, segurar o foco e não deixar o pensamento acelerar e à deriva. Há medida que os vais usando, vai ficando cada vez mais fácil tanto o usá-los, como o baixares a ansiedade.

 

Ferramentas pequenas e grandes

Para baixares a ansiedade, precisas de usar ferramentas eficazes. Enquanto vais treinando os exercícios que sugeri antes, procura ir identificando situações, ferramentas que realmente te ajudem. E é importante ires identificando ferramentas “grandes”, por exemplo ires caminhar um pouco (estando atento aos sentidos), ires ver o mar ou outro sítio que gostes, etc e também ferramentas “pequenas”, que possa usar em curtos períodos de tempo, como ir à janela e olhar uns momentos lá para fora, sentar a beber um copo de água, regar as plantas,…

Vai percebendo as ferramentas que te ajudam a relaxar um pouco, a sair do modo do impulso e entrar no modo de restauração de bem-estar. E pratica-as!

 

Isto é sempre um trabalho, uma escolha, algo que precisas de fazer ao longo de toda a tua vida, da mesma forma que precisas de comer ou de dormir.

Escolhe estar bem e treina para tornares isso um hábito, uma realidade!